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A maldição de ser "Superdotado"
segunda, 29 março 2010

A maldição de ser "Superdotado".

O termo é estúpido, primeiramente, pois dá a impressão de que pessoas com Q.I. muitíssimo acima do normal tem algum "super poder" ou "superioridade". Em fato, a julgar pela minha vida, a diferenciação de Q.I. é mais uma maldição que uma benção.

É claro que pode-se ser o centro das atenções ao aprender a ler e escrever sozinho, ou decorar listas telefônicas, quando criancinha. Mas daí para ser considerando um "monstro" nas escolas, ser chamado de nerd, ser estigmatizado e sofrer bulling violento é um passo .


A vida de um Superdotado é de uma esmagadoramente dolorosa e indescritível solidão. Pensamos de um modo diferente. Nem pior, nem melhor. Mas, "muito" diferente. É normal as pessoas me dirigirem olhares  estranhos se um SD, por alguns momentos, ousar  tecer comentários sobre o que "realmente" pensa em quase todos os assuntos.

Imagine-se num mundo em que todos são tremendamente diferentes de você. Onde você é "estranho", "esquisito". Agora acrescente o preconceito. Compreende agora? Não, ainda não é o retrato final. Por fim, aliado a tudo isso, imagine-se uma pessoa extraordinariamente sensível (algo como uma mulher de TPM multiplicado por 3...).

Um SD (superdotado) é um "sobrevivente". Cada dia neste universo é uma tormenta sem fim. Especialmente quando há que se relacionar com os normais. E 99,99% das pessoas são.


Um breve exemplo

Por exemplo. Pessoas normais, quando em seus círculos de amizades, levam horas comentando ou repetindo frases ou conclusões lógicas que já foram feitas no início da conversa. Não há uma análise, reflexão ou reelaboração da opinião levantada no início. Na mente de muitos SD, cada conversa deveria trazer algum engrandecimento. Uma troca útil de dados que auxiliasse o grupo como um todo.

Mas pessoas normais não trocam dados, se divertem repetindo por horas as mesmas coisas. E, na esmagadora maioria das vezes, elas se reencontram (em churrascos, festas, etc), para tecer exatamente os mesmos comentários que fizeram na última vez, no mês passado, há anos...

O fato é: pessoas normais tendem a ser "monotemáticas" (falam de um único assunto). Ou fazem uma única análise sobre uma variável de cada questão.

Antigamente (não tão antigamente assim), quando não compreendia esse "looping" de dados repetidos entre os normais, era comum que eu interrompesse o assunto e desviasse a conversa para um outro tópico adjacente ou até totalmente diverso do "mantra lógico" repetido naquele círculo de conversa, como meio de tornar a "troca de dados" mais útil. Isso irritava as pessoas profundamente. Me achavam "esquisito", para dizer o menos.

Lembro-me de uma noiva  (ex) ter me chamado de "doido", pois eu "mudava o assunto" às vezes. (antes que ela pudesse repetir seu mantra lógico... talvez umas 10 vezes...)

Hoje, descobri que essa repetição de conclusões é um fenômeno comum, e deve ser respeitado com meu silêncio, pois é assim que as pessoas normais são.


Os caminhos de um "diferente"


Para a maioria de nós, existem 2 caminhos, já que o ensino no Brasil INSISTE em nos misturar, ao invés de colocar-nos em escolas diferenciadas (onde não teríamos a alma rasgada pela solidão):

a) ou fingimos, teatralmente, sermos iguais e aprendemos as desinteressantes conversas das pessoas normais (e ganhamos mais depressão e destruição de auto-estima com o processo).

b) ou nos isolamos totalmente e vivemos confinados em livros, campos de pesquisa, trabalho, enfim sem o doloroso convívio social;

 
A gênese do preconceito

Os "diferentes", sejam eles superdotados, pessoas com deficiências físicas ou mentais, minorias raciais ou religiosas, tendem a ser alvos do preconceito.

Durante anos meditei acerca da injustiça desse padrão de comportamento humano, mas, na verdade, após uma amadora análise antropológica, conclui que a gênese do comportamento preconceituoso se  encontra numa derivação do instinto animal da auto-preservação.

Ora, qual o primeiro instinto derivado da auto-preservação animal? A competição. Que por sua vez se sub-divide em competição intra-grupo e competição extra-grupo.

Na competição extra-grupo, os animais tem a reação natural de defesa de território em relação às espécies diferentes.

Logo, > diferença = > necessidade de defesa = > violência para manutenção do território.

Isso se reflete em diversos comportamentos padrões humanos.

E.g.: brigas entre torcidas. A utilização de uniformes, bem como a disposição geográfica dos "antagonistas" em "bandos", tende a multiplicar o comportamento animal de competição, o que leva ao "pré-conceito" e à desracionalização dos seres alí inseridos;

De fato, muitos dos ódios sociais se revelam, na verdade, em desdobramentos de um comportamento animal inerente ao homem que, SE tratado pela cultura, não trariam tantas consequências desastrosas.

Isto, claro, SE não houvessem os interesses de grupos políticos/de poder que exploram as diferenças como um meio de controle mental das massas.

E.g.: "Somos os escolhidos de Deus, todos os demais são pecadores...".

Ok... E onde isso se reflete na terrível existência dos "diferentes"?

Óbvio. O preconceito é uma grandeza diretamenta proporcional à diferenciação de um ser em relação a uma dada pessoa / grupo de pessoas (SE, não mitigado pela cultura).

Assim, somos a "bola da vez" no "Bulling", nas rodas de samba, de cerveja, no trabalho... Em qualquer lugar.
 
 
Fugas
 
Entre as peripécias utilizadas por um "diferente", para se livrar do preconceito e ser aceito num grupo, encontram-se:
 
 
a) simular notas baixas na faculdade ou demorar para entregar a prova, mesmo  que você já  tenha as respostas prontas após 2 minutos do recebimento daquela;
 
b) diminuir o fluxo de novas idéias ou não comunicar nenhuma no trabalho em que se encontra;
 
c) se tornar avesso a ser reconhecido de qualquer forma por suas capacidades intelectuais, se mediocrizar;
 
 

Características de um SD


- Habilidade de compreensão de idéias complexas
- Sente-se frustrado com facilidade
- Amplo campo de interesses/assuntos
- EXTREMAMENTE sensível
- Grande criatividade
- Teimosos e opinativos
- Performance acadêmica inconsistente (ver item "fuga)
- Senso de humor desenvolvido, às vezes ácido e sarcástico
- Altíssimo nível de curiosidade
- Elevado nível de crítica
- Grande dificuldade de socialização
- Fortíssima tendência à depressão
- Forte senso de justiça
- Passam por "arrogantes" muitas vezes, apenas por falar com absoluta convicção de seus pontos de vista
 
 
I.N.
28/03/2010





Last Updated ( sexta, 02 abril 2010 )
 
Sobre a Genialidade
segunda, 09 junho 2008
Leonardo da Vinci, um dos maiores gênios da Humanidade.
Leonardo da Vinci, um dos maiores gênios da Humanidade.

Um gênio é uma pessoa com grande capacidade mental. Ela pode se manifestar por um intelecto de primeira grandeza, ou um talento criativo fora do comum. O nível de QI pelo qual alguém pode ser chamado de gênio é geralmente definido como 140 ou superior. O termo também se aplica a alguém que é um polímata ou alguém habilidoso em muitas áreas mentais. O termo se aplica com precisão a habilidades mentais, mais que físicas, embora seja também usado coloquialmente para indicar a posse de um talento superior em qualquer campo; por exemplo, de Pelé é dito que foi um gênio do futebol e de Gandhi que foi um gênio da diplomacia.

Índice

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Etimologia

Na Roma antiga, o gênio era o espírito guia ou "tutelar" de uma pessoa, ou mesmo de uma gens inteira. Um termo relacionado é genius loci, o espírito de um local específico. Por contraste a força interior que move todas as criaturas viventes é o animus. Um espírito específico ou daimon, pode habitar uma imagem ou ícone, dando-lhe poderes sobrenaturais.

Um termo comparável do folclore árabe é djin, freqüentemente traduzido como "gênio". Note, todavia, que este termo é um falso amigo, não um cognato. Para maiores informações sobre as raízes etimológicas, veja gênio.

Dotados

Gênios são dotados de excepcional brilhantismo, mas freqüentemente também são insensíveis às limitações da mediocridade bem como são emocionalmente muito sensíveis, algumas vezes ambas as coisas. O termo prodígio indica simplesmente a presença de talento ou gênio excepcional na primeira infância. Os termos prodígio e criança prodígio são sinônimos, sendo o último um pleonasmo.

Gênios artísticos podem se manifestar na primeira infância (prodígio) ou mais tarde na vida; de qualquer forma, os gênios eventualmente se diferenciam do restante através de grande originalidade. Gênios intelectuais geralmente tem visões nítidas e concisas de uma dada situação, na qual a interpretação é desnecessária - os factos simplesmente os impactam e eles constroem ou agem de acordo com estes factos, geralmente com tremenda energia. Aqui também, gênios consumados em campos intelectuais começam em muitos casos como prodígios, privilegiados com memória superior, reconhecimento de padrões ou apenas percepção.

A habilidade clássica do gênio musical é a capacidade de reter muitas melodias diferentes em sua cabeça, simultaneamente, e discernir como elas interagem juntas. É dito que os grandes compositores clássicos (Bach, Mozart, etc) podiam reter 5, 6 ou mesmo 7 melodias diferentes em suas mentes de uma vez. Eles podiam escrever música complicada, com muitas partes diferentes simultaneamente sem a necessidade de ouví-la sendo tocada. Em comparação, uma pessoa média pode reter somente uma única melodia em sua mente.

Uma teoria desenvolvida pelo professor de Harvard Howard Gardner, em seu livro de 1983 Frames of Mind, declara que existem sete tipos de inteligência, cada qual com seu tipo de gênio. Veja teoria das inteligências múltiplas para saber mais sobre esse ponto de vista.

A inteligência é excepcionalmente difícil de quantificar. A medida padrão nos Estados Unidos e em outros países é o teste de Q.I.. Este teste é criticado por muitos por medir somente alguns aspectos da inteligência (discutem-se os apectos acadêmicos e etnocêntricos).

Limitações

Gênios são freqüentemente acusados de falta de senso comum. Casos de gênios em determinadas áreas sendo incapazes de "captar" conceitos corriqueiros são abundantes e antigos; Platão, no Theaetetus (diálogo) fornece uma anedota pitoresca sobre a distração de Thales. Einstein, supostamente, muitas vezes se esquecia se tinha almoçado e costumava calçar meias de cores diferentes. O foco intenso que um gênio coloca em um determinado assunto pode parecer de natureza obsessiva-compulsiva, mas pode também ser simplesmente o resultado de uma escolha feita pelo indivíduo. Se alguém está realizando um trabalho revolucionário em algum campo, a manutenção dos outros elementos da vida pode ser logicamente relegada à insignificância. Apesar da idéia do professor distraído não ser totalmente desprovida de valor, um gênio encontrará tantos problemas emocionais como qualquer outra pessoa. Note as peculiaridades de figuras como Glenn Gould e Bobby Fischer. Tais exemplos são provavelmente produtos de instabilidade mental ou emocional, em vez de gênio per se, embora haja uma correlação pesquisada[1] entre QI e desajustamento social.

Problemas sócio-emocionais são mais preponderantes em gênios com um QI acima de 145. Desenvolvimento assíncrono é a causa principal disto. Como a maioria das crianças não compartilham os interesses, vocabulário ou desejo de organizar actividades das crianças dotadas, as crianças gênio podem ser afastadas da sociedade.

Algumas pesquisas mostram que outras razões além do desajuste tornam difícil para os gênios obterem companhia. Como a inteligência de uma pessoa aumenta, aqueles que elas consideram como pares constituem-se num número cada vez menor de pessoas. Por exemplo, para um QI de 135 somente uma em cada 100 pessoas terá QI igual ou superior. Este número encolhe significativamente a medida que o QI sobe.

Leta Hollingworth introduziu a idéia de uma "faixa de comunicação" efetiva baseada no QI. De acordo com sua teoria, para ser-se um líder efetivo de seus contemporâneos, alguém deve ser mais inteligente, mas não muito mais inteligente do que aqueles que deverá liderar. Isto implica que os gênios podem não ser bons líderes daqueles substancialmente menos dotados e que eles podem nutrir desdém pela autoridade. A teoria também declara que crianças e adultos tornam-se intelectualmente isolados de seus contemporâneos quando existe uma diferença de 30 pontos no QI.[2]

É importante notar que factores sociais e econômicos podem impedir a expressão de um gênio. Tais factores incluem expectativas sociais em relação às mulheres e repressão de minorias. Por este motivo, os aparentes pendores pró-homens e pró-europeus nos gênios actuais e do passado podem não indicar uma diferença real na incidência de gênios biológicos em outros grupos.

Na filosofia

Na filosofia de Arthur Schopenhauer, um gênio é uma pessoa na qual o intelecto prevalece sobre a vontade muito mais do que numa pessoa mediana. Na Estética de Schopenhauer, esta predominância do intelecto sobre a vontade permite ao gênio criar trabalhos artísticos ou acadêmicos que são objectos de pura e desinteressada contemplação, o principal critério da experiência estética para Schopenhauer. Seu distanciamento das preocupações mundanas significa que os gênios de Schopenhauer freqüentemente demonstram características de desadaptação quanto a tais preocupações; nas palavras de Schopenhauer, eles caem na lama enquanto fitam as estrelas.

Na filosofia de Immanuel Kant, gênio é a capacidade para atingir independentemente e compreender conceitos que normalmente teriam de ser ensinados por outra pessoa. No Dicionário de Kant (ISBN 0631175350), Howard Caygill fala que o caráter essencial do "gênio" para Kant era a originalidade. Este gênio é um talento para produzir idéias que podem ser descritas como não-imitativas. A discussão de Kant sobre as características do gênio está grandemente contida na Crítica do Julgamento e foi bem recebida pelos românticos do início do século XIX.

Last Updated ( segunda, 09 junho 2008 )
 
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